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Porto de Ilhéus volta a exportar amêndoas de cacau após 20 anos

Escrito por 07 Outubro 2015.

Movimento se deve à boa safra no Brasil, aliada à baixa demanda localMovimento se deve à boa safra no Brasil, aliada à baixa demanda local

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Por Evellin Portugal

Depois de duas décadas, o Porto de Ilhéus vai voltar a exportar amêndoas de cacau em larga escala. A produção do país, que já foi um grande exportador, atingiu números capazes de atender à demanda interna e, ainda, disponibilizar um excedente capaz de ser exportado.
Os rumores que circularam entre os produtores de cacau nas redes sociais foram confirmados na segunda-feira (5) pela assessoria de comunicação da Cargill, que fará a primeira exportação no próximo dia 21 de outubro. Serão embarcadas seis mil toneladas da amêndoa pelo navio Achtergracht, o qual tem como destino Amsterdã, na Holanda.
Em nota, a empresa explicou „que esse movimento se deve à boa safra no Brasil, entre os meses de junho e julho deste ano, aliada à baixa demanda local e, por isso, acredita que as exportações são um importante passo para a retomada do crescimento deste segmento no país“.

Produtores comemoram
A notícia da reabertura das exportações pelo Porto de Ilhéus agradou aos produtores de cacau. Segundo Milton Andrade, cacauicultor e presidente do Sindicato Rural de Ilhéus, a atitude da Cargill deve incentivar outras empresas e gerar um equilíbrio do mercado interno, que por conta do excedente, está com deságio. „Ficamos bastante satisfeitos com essa atitude da Cargill de exportar o nosso cacau, porque o momento em que vivemos é de um mercado superabastecido. Saber que uma empresa vai exportar seis mil toneladas nos traz otimismo. Esperamos que outras empresas, bem como os repassadores que já exportaram altos volumes no passado, sejam estimulados. Se tem excedentes, então exportem, pois é bom para todos: produtores, empresas e para o governo“, afirmou.
Ainda de acordo com Andrade, essa exportação vai mostrar ao mercado internacional a boa qualidade do cacau brasileiro. „A Cargill tem renome internacional no mercado de alimentos. Exportando, ela vai mostrar a esse mercado que o cacau daqui é de qualidade. É uma atitude muito positiva, vai melhorar a imagem do nosso produto lá fora, porque a Cargill não iria exportar um cacau sem qualidade. Além disso, vai abrir novos mercados, o que gera emprego, movimenta toda a estrutura mercantil do Porto, movimenta os sindicatos, o setor de transporte e gera receita“, avaliou.
Embora considere um número pequeno, Milton destaca que a exportação dessas seis mil toneladas deve ser vista como um estímulo para estruturar o parque exportador. „Em um universo de 290 mil toneladas, ainda não é o suficiente exportar apenas seis mil. O ideal seria dar continuidade à exportação, o que é muito benéfico, principalmente diante da crise pela qual o país passa atualmente. Então, que não seja apenas um fato isolado e que isso seja abraçado por outras empresas como a Barry Callebaut, Olam, Delfi, e as multinacionais comerciantes e cacau“, apostou.
Para o presidente do Sindicato Rural de Ilhéus, a atitude da Cargill também contrapõe um posicionamento da indústria, que diz que as previsões de safra feitas pela Conab não são verdadeiras. „A própria indústria diz que o cacau produzido aqui não é suficiente para suprir a demanda interna e ainda exportar. Com essa exportação, ela está contrapondo o que afirma“, ressaltou.